Como usar o Cartão de Crédito a seu favor e nunca mais pagar juros (Guia 2026)

Muitos brasileiros ainda não sabem como usar o cartão de crédito do jeito certo e acabam pagando juros altos. A relação com esse pedaço de plástico costuma ser de amor e ódio.

A verdade é uma só: O Cartão de Crédito não é um monstro. Ele é apenas uma ferramenta. É como um martelo: você pode usar para construir uma casa ou para acertar o dedo.

O problema é que ninguém nos ensinou a usar o martelo.

Hoje, vou te ensinar como usar o cartão de crédito com inteligência, para que ele trabalhe para você (acumulando pontos e dando prazo), e não contra você (cobrando juros abusivos).

Regra 1: O Cartão NÃO é extensão do salário

Esse é o erro número 1. Se você ganha R$ 2.000 e tem um limite de R$ 3.000, você não tem R$ 5.000 para gastar. Você continua tendo R$ 2.000. O cartão é apenas um jeito diferente de pagar o que você já pode comprar. Se você compra contando com um dinheiro que “talvez” entre mês que vem, o endividamento é certo.

Regra 2: Entenda o “Melhor Dia de Compra”

Você sabia que pode ter até 40 dias para pagar uma compra sem juros? O segredo está na Data de Fechamento da fatura.

  • Data de Vencimento: Dia que você tem que pagar o boleto (ex: dia 10).
  • Data de Fechamento: Dia que o banco “fecha a conta” do mês (geralmente 10 dias antes do vencimento, ex: dia 30).

O Pulo do Gato: Se sua fatura fecha dia 30, qualquer compra feita no dia 31 só virá na fatura do outro mês. Você ganha tempo para o dinheiro cair na conta. Organize suas compras maiores sempre para o dia seguinte ao fechamento. Isso ajuda muito no planejamento financeiro mensal.

Regra 3: Fuja do “Pagamento Mínimo” como o diabo foge da cruz

Nunca, em hipótese alguma, pague o mínimo da fatura. Os juros do “Rotativo do Cartão” no Brasil são os mais altos do mundo (mais de 400% ao ano). Se sua fatura veio R$ 1.000 e você paga só o mínimo (R$ 150), no mês que vem sua dívida não será R$ 850. Ela voltará monstruosa, com juros sobre juros.

  • Dica de Ouro: Se não tem dinheiro para pagar a fatura total, é mais barato pegar um empréstimo pessoal (ou Consignado) com juros menores para quitar o cartão à vista. Veja nossa análise sobre Empréstimo Consignado para entender essa troca.

Regra 4: Não parcele gastos de consumo imediato

Parcelar geladeira? Pode (dura 10 anos). Parcelar rodízio de pizza? Jamais (dura 2 horas).

Quando você parcela compras pequenas do dia a dia (mercado, gasolina, lanche), você cria uma “Bola de Neve Invisível”. Imagine parcelar R$ 50,00 em 10 vezes. Parece pouco. Mas se você fizer isso 10 vezes no mês, logo terá R$ 500,00 do seu salário comprometido com parcelas de coisas que você nem lembra que comeu. Para compras de mercado, siga nossas dicas de como economizar no supermercado e pague sempre à vista/débito.

Regra 5: Limite não é troféu

O banco adora aumentar seu limite para te tentar. Não caia nessa. O ideal é que seu limite total seja, no máximo, 50% da sua renda mensal. Se você ganha R$ 3.000, seu limite deveria ser R$ 1.500. Ter um limite de R$ 10.000 na mão de quem não tem controle é como dar uma Ferrari para quem acabou de tirar a carta: vai dar acidente.

Direitos e Deveres

Quer entender seus direitos e deveres como consumidor de serviços bancários? O site da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) tem uma cartilha educativa muito boa.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Ter muitos cartões atrapalha?

Sim. Além de pagar várias anuidades, fica difícil controlar as datas de vencimento. O ideal é concentrar tudo em 1 ou 2 cartões (um principal e um de reserva). Isso também ajuda a juntar pontos mais rápido e aumentar seu Score Serasa pela organização.

Vale a pena pagar anuidade para ter milhas?

Só se você gasta muito (acima de R$ 3.000/mês). Para quem gasta pouco, o valor da anuidade costuma ser maior do que o valor que você resgata em milhas. Prefira cartões sem anuidade (Nubank, Inter, Neon, etc.).

Cancelar o cartão suja o nome?

Não. Cancelar um cartão é um direito seu e não deixa o nome sujo. Porém, se você tiver compras parceladas a vencer, elas continuarão chegando na fatura até terminar, ou o banco pode cobrar tudo de uma vez (leia o contrato).

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Administrador de Empresas com 20 anos de experiência em gestão de contas e planejamento orçamentário familiar. Responsável pela edição e revisão de todo o conteúdo do Contando Contas, garantindo que as dicas de dívidas e investimentos sejam aplicáveis e seguras para a classe média brasileira.