Muitos brasileiros ainda não sabem como usar o cartão de crédito do jeito certo e acabam pagando juros altos. A relação com esse pedaço de plástico costuma ser de amor e ódio.
A verdade é uma só: O Cartão de Crédito não é um monstro. Ele é apenas uma ferramenta. É como um martelo: você pode usar para construir uma casa ou para acertar o dedo.
O problema é que ninguém nos ensinou a usar o martelo.
Hoje, vou te ensinar como usar o cartão de crédito com inteligência, para que ele trabalhe para você (acumulando pontos e dando prazo), e não contra você (cobrando juros abusivos).
Regra 1: O Cartão NÃO é extensão do salário
Esse é o erro número 1. Se você ganha R$ 2.000 e tem um limite de R$ 3.000, você não tem R$ 5.000 para gastar. Você continua tendo R$ 2.000. O cartão é apenas um jeito diferente de pagar o que você já pode comprar. Se você compra contando com um dinheiro que “talvez” entre mês que vem, o endividamento é certo.
Regra 2: Entenda o “Melhor Dia de Compra”
Você sabia que pode ter até 40 dias para pagar uma compra sem juros? O segredo está na Data de Fechamento da fatura.
- Data de Vencimento: Dia que você tem que pagar o boleto (ex: dia 10).
- Data de Fechamento: Dia que o banco “fecha a conta” do mês (geralmente 10 dias antes do vencimento, ex: dia 30).
O Pulo do Gato: Se sua fatura fecha dia 30, qualquer compra feita no dia 31 só virá na fatura do outro mês. Você ganha tempo para o dinheiro cair na conta. Organize suas compras maiores sempre para o dia seguinte ao fechamento. Isso ajuda muito no planejamento financeiro mensal.
Regra 3: Fuja do “Pagamento Mínimo” como o diabo foge da cruz
Nunca, em hipótese alguma, pague o mínimo da fatura. Os juros do “Rotativo do Cartão” no Brasil são os mais altos do mundo (mais de 400% ao ano). Se sua fatura veio R$ 1.000 e você paga só o mínimo (R$ 150), no mês que vem sua dívida não será R$ 850. Ela voltará monstruosa, com juros sobre juros.
- Dica de Ouro: Se não tem dinheiro para pagar a fatura total, é mais barato pegar um empréstimo pessoal (ou Consignado) com juros menores para quitar o cartão à vista. Veja nossa análise sobre Empréstimo Consignado para entender essa troca.
Regra 4: Não parcele gastos de consumo imediato
Parcelar geladeira? Pode (dura 10 anos). Parcelar rodízio de pizza? Jamais (dura 2 horas).
Quando você parcela compras pequenas do dia a dia (mercado, gasolina, lanche), você cria uma “Bola de Neve Invisível”. Imagine parcelar R$ 50,00 em 10 vezes. Parece pouco. Mas se você fizer isso 10 vezes no mês, logo terá R$ 500,00 do seu salário comprometido com parcelas de coisas que você nem lembra que comeu. Para compras de mercado, siga nossas dicas de como economizar no supermercado e pague sempre à vista/débito.
Regra 5: Limite não é troféu
O banco adora aumentar seu limite para te tentar. Não caia nessa. O ideal é que seu limite total seja, no máximo, 50% da sua renda mensal. Se você ganha R$ 3.000, seu limite deveria ser R$ 1.500. Ter um limite de R$ 10.000 na mão de quem não tem controle é como dar uma Ferrari para quem acabou de tirar a carta: vai dar acidente.
Direitos e Deveres
Quer entender seus direitos e deveres como consumidor de serviços bancários? O site da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) tem uma cartilha educativa muito boa.
- Acesse: Meu Bolso em Dia – Febraban
Perguntas Frequentes (FAQ)
Ter muitos cartões atrapalha?
Sim. Além de pagar várias anuidades, fica difícil controlar as datas de vencimento. O ideal é concentrar tudo em 1 ou 2 cartões (um principal e um de reserva). Isso também ajuda a juntar pontos mais rápido e aumentar seu Score Serasa pela organização.
Vale a pena pagar anuidade para ter milhas?
Só se você gasta muito (acima de R$ 3.000/mês). Para quem gasta pouco, o valor da anuidade costuma ser maior do que o valor que você resgata em milhas. Prefira cartões sem anuidade (Nubank, Inter, Neon, etc.).
Cancelar o cartão suja o nome?
Não. Cancelar um cartão é um direito seu e não deixa o nome sujo. Porém, se você tiver compras parceladas a vencer, elas continuarão chegando na fatura até terminar, ou o banco pode cobrar tudo de uma vez (leia o contrato).










